terça-feira, 3 de novembro de 2015

FIDELIDADE, amor

Em meio aos meus lençóis
Cheirosos de você 
Sujos por você 
E largados por você
Eu lhe trai. 
Enchi aquelas colchas de tragadas fedidas de cigarros baratos
E as minhas coxas de falos perdidos. 
Eu não me lembro seus nomes;
Tamanhos;
Cores;
Formas.
Não faço boas contas
Mas
Eu lhe trai 
E se me lembro dos seus olhos apaixonados 
Muito me orgulho: eu lhe trai 
Foram tantos...
(não faço boas contas)
Os nossos pés na areia não mentiram 
Eu menti 
Num falso abraço 
"Eu amo você" 
- Um real sentir -
E minha mente era sua
Mas eu menti
1,93 ocupando espaços numa cabeça cheia de vontades 
Pedi por três dias 
"Demasiados dias" 
Pedi por uma noite 
"Demasiadas são as horas" 
Pedi por você 
"Demasiada é a sua vontade" 
Eu lhe trai. 

domingo, 1 de novembro de 2015

DE MENOS

Eu era
jovem demais 
compreensiva demais 
amante demais 
passiva demais 
a vida toda pela frente era demais 
pensar na vida era pensar demais 
seu descaso era demais 
e eu era jovem demais
sua ingratidão era demais 
pra alguém jovem demais 
"alterada demais"
"descontrolada demais"
"pressiona demais"
sim 
e também 
desavisada demais.
O meu amor era demais 
o tempo passou demais 
o meu amor era demais 
eu sonhei demais 
o meu amor era demais 
eu era jovem demais 
abra o dicionário no D 
leia mais.  

domingo, 25 de outubro de 2015

PSEUDO-NARCISO

Você não parece mais o mesmo.
Seus olhos olham com desdém,
Não compram. 
Bom demais para caber em si.
Transborda sua imagem da fonte 
E você se lava nela,
Mas não se afoga.
Contei-lhe sobre Narciso certa vez 
E você mudou de nome.
As ninfas: todas suas.
Eco já não mais.
Enquanto espera que você se afogue 
Ou vire flor à beira dos rios
Ela fecha os olhos para não olhar.
Não lhe olha,
mas lhe repete todos os pedidos
- não fujas 
- fujas...
- por que evitas meu olhar?
- evitas meu olhar! 
"Para a maldição sentido há" 
Engole o choro e afirma em pensamento:
Você não é mais o mesmo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

ANO PSICOLÓGICO

Ah, se pudesse eu,
Desconhecido das maneiras de sentir,
Olhar outra vez esses seus olhos
Como se olhasse tão fundo para dentro de mim 
E girasse os ponteiros para aquele Abril 
Que de tanto amar virou Janeiro.
Vida nova, o mundo inteiro;
Dia um, um de você é o primeiro.
Era o começo da esperança sem fim 
Me dava para você como em Dezembro.
Fazia um laço para em cada noite desfazer
O meu presente era me dar
E me perdia naquelas voltas 
Que você me dava enquanto olhava o embrulho desfeito. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

QUANTO TEMPO MAIS?

Quando sua poesia não aguentar mais
E fechar a boca para tudo que já fora dito 
Saiba que ela vive 
E como o seu amor, ela também vai lhe abandonar 
Você sentirá sua falta 
Chorará pelas palavras derramadas
Em vão 
Como todas as lágrimas outrora derramadas:
Em vão. 
Quando o verso se desfizer 
Será você desfeito 
E quando ele mais parecer vivo 
Será seu último suspiro de paixão 
Escorrendo pelo ralo que deságua no coração mais próximo.