Ávida espera
no peitoril da vida
Meta-loucura; meta-amor
Feérica imagem nos olhos da razão
que abafam os sentidos, os ouvidos,
a sanidade.
Piscam-se os olhos: você.
Piscam-se as luzes: você.
Piscam-se as horas: você.
Meia noite: você.
Meio dia: você.
Meio eu: você.
Tarda-se o dia e a demora fixa se instala no peito.
Diz-me: sou tua.
Minha. Sei.
Você não sabe o que seria...
Meio dia: minha.
Meia noite: minha.
E como poderia?
quarta-feira, 18 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
NÃO FOI AMOR
Não foi amor.
Foi um um suspiro exacerbado de euforia e pouco prestígio por si.
Foi uma loucura daquelas chamadas "sem precedentes".
Foi precedente para o que não se precisava viver.
Foi melancolia desde o primeiro dia.
Foi volúpia à primeira vista, ósculo pecaminoso, riso sem escrúpulos, insignificância de uma vida.
Foi brincadeira maldosa, jogo sem regra, partida sem juiz.
Foi um tapa na cara, na vida, no fim.
Foi um mar na cama, uma noite em ondas, um marinheiro, uma sereia.
Foi mais que uma chama, foi incêndio na alma, foi a vida inflamada.
Foi ida sem volta.
Foi mais que amor.
Foi um um suspiro exacerbado de euforia e pouco prestígio por si.
Foi uma loucura daquelas chamadas "sem precedentes".
Foi precedente para o que não se precisava viver.
Foi melancolia desde o primeiro dia.
Foi volúpia à primeira vista, ósculo pecaminoso, riso sem escrúpulos, insignificância de uma vida.
Foi brincadeira maldosa, jogo sem regra, partida sem juiz.
Foi um tapa na cara, na vida, no fim.
Foi um mar na cama, uma noite em ondas, um marinheiro, uma sereia.
Foi mais que uma chama, foi incêndio na alma, foi a vida inflamada.
Foi ida sem volta.
Foi mais que amor.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
A HISTÓRIA DE UM SUJEITO (IV)
Certa vez, em meio a um grande "nada" que se fazia bem presente naquele dia, o sujeito se sacudiu para tirar o pés primeiro da posição sepulcral que eles permaneciam na cama (há dias) e depois de dentro de casa. Era um daqueles dias em que o sol está belíssimo e sugere várias lentes de câmeras fotográficas voltadas para si e que as nuvens se dispõem graciosamente brancas como se pintassem um quadro de Van Gogh sem ao menos terem aquela intenção. Impossível seria caminhar sob aquele meio-sol lindo e não sentir sequer a vontade de praguejar cada raio que golpeava todo o seu corpo. Ele foi. Não exatamente com a certeza de ter algo a se fazer (ele precisava de rotina e obrigações e quando elas faltavam...), mas com ideia fixa de que em pouco tempo estaria de volta pois não aguentaria muito tempo na condição de "homem livre".
O sujeito tinha um relógio preto de pulso que ele adorava, não por ser bonito mas por marcar claramente as horas, sem frescuras de números que se transformam em riscos e riscos que se transformam em absolutamente nada. O relógio marcava quatro e trinta e sete da tarde quando ele resolveu encarar a rua. Esse, por um descuido ou outro, foi esquecido em cima de qualquer coisa dentro de casa (ele provavelmente teria sérios problemas para o encontrar quando retornasse). Pela cara do sol de verão deviam ser por volta de sete horas da noite quando o sujeito resolveu parar em um ponto de ônibus, não por nada, mas para olhar. Olhava. E olhou por muito tempo, foi quando chegou uma moça. Bonita até. Percebia-se claramente que ficara horas se arrumando em frente ao espelho. O cabelo estava propositalmente selvagem, ou seja lá como aquilo poderia ser chamado. Unhas feitas. Trajes despojadamente impecáveis e os sapatos pareciam velhos porém bem cuidados. Ela trazia consigo certa empolgação no olhar, ou era como ela se movia, sempre discretamente empolgada. Mascava chicletes e ouvia algo como MPB ou algo suave do momento. Ele a observava em todos os seus detalhes, mas em nenhum momento foi percebido. Havia algo naquele olhar, no jeito que respirava e esperava ansiosa e tímida pelo ônibus que tomaria. "Ela vai se encontrar com alguém!" Concluiu. De fato ela se encontraria. Parecia ter se vestido para impressionar qualquer grupo fechado de pessoas. Mas não! Não eram as pessoas que a preocupavam, era alguém em especial. Um rapaz, na certa. Em certa altura das horas o sujeito se encontrava satisfatoriamente contente pelo ônibus da moça não ter passado e certamente, em meio a toda sua observação, ele tenha desejado ser aquele rapaz que criara para o encontro que também criara. Depois de imaginar como seria ser aquele rapaz que possivelmente estava esperando a moça em algum ponto da cidade e de imaginar como esse mesmo rapaz também estaria ansioso para vê-la o sujeito percebeu que ele era aquela moça. Tivera aquela empolgação nos trejeitos e não fazia muito tempo. O ônibus chegou, parou, fez aquele barulho clássico de uma parada de ônibus e a moça entrou. Ele podia jurar que antes das portas se fecharem ela olhou em sua direção. Ele não estava interessado na moça mas em como ela se sentia. "O que leva alguém a se mostrar assim sem ao menos dizer uma palavra?" - pensava enquanto o ônibus sumia nos limites da avenida.
A volta para casa em lenta caminhada foi bastante reflexiva. Um dia e uma mesa de bar o tiveram causado um efeito tão devastador que tudo agora remetia àquele dia. Antes que pudesse por seus pés de volta ao seu lugar natural de descanso recebeu uma ligação. O sentido perdido de um dia acabara de ter sido encontrado em um
"- Oi!
- Tudo bem?
- Tudo bem. Tudo bem?
- Tudo bem.
- E aí!?
- Tudo bem!"
sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
MORRA
Morra o medo
de um lânguido amor
num súbito golpe de pernas alquebradas
que te abraçam na fadiga de te quererem
mais e depois,
até o fim de um apressurado instante
que num sonho de criança vira eterno
e sempre dura.
Morra a fome
do seu maná açucarado (como se diz)
e o desejo dessa pele
que me tem amordaçada no fundo
do quarto escuro e gélido
do tanto que se faz frio.
Morra sua tez
que não é das minhas mas é tão minha.
Que no sol reflete aquilo que tanto adoro
quando toca na minha. Minha.
Morra essa ledice
que o seu lado me dá, me tira,
que eu chamo de prazer,
imensurável
como eu nunca quis,
como eu nunca soube,
como eu tanto quero
Morra homem,
por teu gênero que não gosto de me declarar,
em teus braços, mãos,
pelo, peito e pau.
Morra você
de carne, osso e meu querer.
De quimeras e cantos do meu feitio,
feitio o meu,
o teu que faz o meu tão seu.
Morra paixão
e leve na morte as palavras
extraídas do puro do significado
de mim, por mim.
Eu me achaco nelas.
Morra paixão, em vão.
de um lânguido amor
num súbito golpe de pernas alquebradas
que te abraçam na fadiga de te quererem
mais e depois,
até o fim de um apressurado instante
que num sonho de criança vira eterno
e sempre dura.
Morra a fome
do seu maná açucarado (como se diz)
e o desejo dessa pele
que me tem amordaçada no fundo
do quarto escuro e gélido
do tanto que se faz frio.
Morra sua tez
que não é das minhas mas é tão minha.
Que no sol reflete aquilo que tanto adoro
quando toca na minha. Minha.
Morra essa ledice
que o seu lado me dá, me tira,
que eu chamo de prazer,
imensurável
como eu nunca quis,
como eu nunca soube,
como eu tanto quero
Morra homem,
por teu gênero que não gosto de me declarar,
em teus braços, mãos,
pelo, peito e pau.
Morra você
de carne, osso e meu querer.
De quimeras e cantos do meu feitio,
feitio o meu,
o teu que faz o meu tão seu.
Morra paixão
e leve na morte as palavras
extraídas do puro do significado
de mim, por mim.
Eu me achaco nelas.
Morra paixão, em vão.
domingo, 21 de dezembro de 2014
A HISTÓRIA DE UM SUJEITO (III)
"Posso, dentro de todas as certezas que tenho em minha existência (não tão longa - pensou), não ser a pessoa mais charmosa ou cheia de imperiquitâncias que conheço e talvez eu esteja no grupo de plantas que vive da fotossíntese da vida cotidiana, sempre à espera da luz daquilo que no fundo eu não preciso. Também é pleno o meu conhecimento sobre o alguém que sou: não muito mas também não pouco interessante. Me encaixo bem naqueles meios em que ninguém sabe de coisíssima alguma mas falam sobre tudo e todos acreditam na veracidade daquele mentira que todos sabem ser mentira. Quando pretendo me avaliar nunca coloco em questão as minhas qualidades físicas, pois sou exatamente o tipo de pessoa que finge não dar a mínima a esses meros detalhes mas quando me olho no espelho me lembro que "meros detalhes" é expressão para aquilo que mais abomino em mim. Sofro de uma vergonha gigante, a qual compartilho com todos que convivem comigo e que merecem, precisam, necessitam mas não a possuem para os limitar em ações que eu, particularmente, não praticaria. Peco como um bom religioso: nunca vou à igreja, digo a todos que Jesus é um conto de fadas e quando aparece qualquer cem reais a mais na minha conta me pego dizendo "como meu Deus é bom!". Isso é uma grande entrada para me apresentar como hipócrita (quando quero), dramático, melodramático, tragicômico e por conta dessas palavras eu poderia atuar em alguma peça de teatro barata, de péssimo cenário e como péssimas histórias sobre holerites de atores no centro da cidade. Encaro a vida com um certo olhar profundo de quem fuma um cigarro para se incluir socialmente, mas nunca fumei. Sou patético pois nunca fumei justamente por achar essa uma atitude desmotivada de quem gostaria de ser notado e fazia dessa contradição uma atitude para ser notado. Não tenho vocação para pai nem para mãe. Inconsequente. Mimado. Dirijo mal. Gosto de animais. Leio autores banalizados. Tenho um problema-metáfora de coração que está mais para anomalia cerebral chamado paixão (ou algo assim)."
Dada uma breve descrição sobre si, e, tendo em vista sua última adjetivação as finalidades começaram a ser trabalhadas. Ele não precisava se avaliar diante de um espelho mental, nem devia satisfações a um ego frustrado por conta de uma semana sem muitos agitos. Foi caindo naquele abismo desnecessário que era a busca por causas para o seu problema. Qualquer sujeito poderia se esquivar do tiro que levara ali, bem no meio do coração doente, então, por que não pôde ele fazer parte do todo de "sujeitos quaisquer" que sempre fizera? Estava ali, baleado, mas sorria. Ele poderia ser qualquer pessoa, daquelas que poucos notam nas multidões, mas conhecia a vergonha de ser descoberto ou farejado pelo jeito da pólvora vinda daquele cano. De peito perfurado ele sabia que aquilo tinha sim uma finalidade, e verdade seja dita, a finalidade e o problema eram um: se adequar a quem se ama a fim de ser amado adequadamente.
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